Vale
a pena pagar mais por certos orgânicos?
Os
adeptos da culinária saudável já estão
cansados de saber dos benefícios dos alimentos orgânicos
- aqueles cultivados e produzidos sem o uso de aditivos químicos
e agrotóxicos. Infelizmente, investir 100% nesse tipo
de frutas, legumes, folhas e até sucos e carnes ainda
custa caro e é privilégio de poucos.
Pensando
nisso, conversamos com especialistas para garimpar alguns
itens nesse universo orgânico e saber exatamente por
quais deles e em que situações realmente vale
a pena se pagar mais em nome da saúde.
Um
bom começo para começar a mudar os hábitos
à mesa, sem pesar muito no bolso, seria substituir
os campeões em agrotóxicos por suas versões
orgânicas. Não é à toa. De acordo
com a nutróloga Lívia Zimmermann, o consumo
diário dessas substâncias nocivas pode intoxicar
o organismo, criando um "ambiente" propício
ao desenvolvimento de doenças - desde alergias até
o câncer a longo prazo. "Há, inclusive,
estudos que sugerem que os aditivos químicos, principalmente
os corantes encontrados em alimentos industrializados, podem
ter relação até com distúrbios
psicológicos", alerta Lívia, membro da
diretoria da Associação Brasileira de Nutrologia
(Abran).
Reveja
sua lista de supermercado
Comer uma salada de tomates, hoje, pode ser uma aventura e
tanto, graças ao nível de contaminação
dessa fruta - que aparece nas feiras e sacolões cada
vez maior e mais vermelha (como um típico efeito do
uso de agrotóxicos). "A dona de casa mais atenta
pode observar uma película meio esbranquiçada
na casca do tomate. É o sinal da presença dos
aditivos químicos", explica a nutróloga
Lívia Zimmermann.
Trocar
o tomate convencional pelo orgânico, portanto, pode
valer a pena, especialmente no prato das crianças.
Sabe-se que os efeitos dos agrotóxicos são cumulativos
- por isso, de acordo com os especialistas, o quanto antes
barrarmos boa parte desse contato, melhor.
O
tomate é o vilão maior, mas entre os reis da
contaminação ainda estão o morango, a
melancia, o melão, a abóbora, enfim as frutas
rasteiras, além do mamão e das verduras (legumes
e folhas). No geral, nos cultivos tradicionais, esses alimentos
recebem uma quantidade grande de químicos, por serem
mais suscetíveis à ação de pragas,
como as ervas daninhas.
Segundo
Fernanda Pisciolaro, nutricionista Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica (Abeso), os cuidados devem ser redobrados
com alimentos que se come com a casca e com aqueles que não
têm casca (a exemplo do morango). Nem as carnes vermelhas
escapam dos alimentos que merecem atenção (e
que poderiam ser substituídos por sua versão
orgânica). Os hormônios de crescimento e antibióticos
usados na criação bovina podem causar prejuízos
ao organismo. Isso não ocorre com a carne orgânica,
resultado de um gado criado em pasto orgânico, com alimentação
orgânica e sem o uso de remédios alopáticos.
Ganhos
na qualidade e no sabor
"O agrotóxico deixa o morango com gosto de acetona.
A fruta orgânica é bem diferente, muito mais
saborosa", completa Raquel Diniz, coordenadora do Instituto
Akatu, uma organização não-governamental
que busca estimular o consumo consciente e sustentável.
José
Pedro Santiago e Alexandre Harkaly, diretores da associação
de certificação de orgânicos, o Instituto
Biodinâmico (IBD), garantem que os alimentos orgânicos
contêm uma concentração mais elevada de
nutrientes. Para confirmar o que dizem, eles lembram de 41
estudos científicos divulgados, em 2005, pela Soil
Association, da Inglaterra, que atestavam uma presença
maior de vitamina C, magnésio e fósforo nos
orgânicos.
"A
laranja, por exemplo, contém 12% mais vitamina C e
menos resíduos de nitratos em relação
à convencional", comenta José Pedro. Essa
maior concentração de nutrientes, segundo o
especialista, pode ser vista também no leite orgânico,
que apresenta maior quantidade de cálcio e vitaminas.
Reconheça
um alimento orgânico
Para ser considerado orgânico, o alimento deve seguir
alguns padrões essenciais de plantio e colheita. De
início, nada de agrotóxicos ou agentes químicos,
como os pesticidas, para "reforçar" a terra
e evitar pragas e ervas daninhas.
Normalmente,
os produtos vendidos em supermercados apresentam um selo de
certificação, desde que tenham, no mínimo,
95% de ingredientes orgânicos. "Para certificar
um produto, seguimos diretrizes que vão da produção
primária à industrialização, armazenamento
e transporte do produto. Além de questões de
conservação do solo", afirma Alexandre
Harkaly, diretor do IBD. O selo vale tanto para frutas e vegetais,
quanto para laticínios e carnes.
Mas,
se você tem o hábito de freqüentar feiras
ou sacolões e mercadinhos próximos da sua casa,
vai uma dica: alimentos orgânicos tendem a ter um aspecto
mais feio. Isso reflete tanto no tamanho da fruta, quanto
na coloração. Portanto, se você não
quer abrir mão dos tomates "vermelhões"
e gigantes, porém cheios de agrotóxicos, nem
passe perto das prateleiras orgânicas. Ali, a fruta
é menor e de um vermelho mais discreto.
Serviço:
Alexandre Harkaly - diretor do IBD (Associação
de Certificação Instituto Biodinâmico)
www.ibd.com.br
Fernanda
Pisciolaro - nutricionista, membro da Abeso (Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica)
www.abeso.org.br
José Pedro Santiago - diretor do IBD (Associação
de Certificação Instituto Biodinâmico)
www.ibd.com.br
Lívia Zimmermann - nutróloga, membro da diretoria
da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia)
www.abran.org.br
Raquel Diniz - coordenadora do Instituto Akatu
www.akatu.org
Fonte:
http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI3298637-EI1501,00-Vale+a+pena+pagar+mais+por+certos+organicos.html